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Empoderamento feminino por meio da independência financeira: entrevista com Ana Lúcia Emmerich
Publicado em 11.01.2017 // 0 Comentário

Muito tem se falado no Brasil sobre empreendedorismo, independência financeira e empoderamento feminino. As discussões sobre machismo e feminismo estão levando a sociedade a ter um novo olhar sobre as mulheres, e acredito que seja para melhor.

Com o objetivo de trazer um conteúdo relevante, sério e ao mesmo tempo leve e agradável, nada melhor do que ouvir uma empreendedora experiente. Convidei para uma entrevista a Ana Lúcia Emmerich, coautora do livro “Suba no Salto e Conquiste Sua Independência Financeira, lançado em dezembro de 2016 na Fnac da Avenida Paulista, em São Paulo.

Veruska Olivieri: Como começou a sua jornada empreendedora?

ana-lucia-emmerichAna Lúcia Emmerich: Venho de uma família de empreendedores e, aos 19 anos de idade, fui aprender na prática o que era empreender por meio de uma loja de shopping com amplo estoque e três funcionárias para gerenciar. Neste processo que foi muito difícil para mim e minha irmã na época, o suporte da minha avó foi imprescindível pois ela possuía o conhecimento sobre o que era empreender.

Aos 21 anos, fui estagiar no mercado financeiro e por lá permaneci pelos 15 anos seguintes, onde atuei em áreas diversas, tais como, agência no atendimento a clientes, áreas de distribuição, planejamento estratégico, inteligência de mercado e recursos humanos.

Em 2012, fui surpreendida com um processo de demissão e optei por montar minha empresa com uma sócia para atuação com Treinamentos e Coaching. Hoje, atuo na parte de desenvolvimento humano voltado para liderança, processos de Coaching e empreendedorismo, devido a minha atuação como facilitadora do Empretec (seminário vivencial de metodologia da ONU que trabalha os comportamentos dos empreendedores de sucesso realizado pelo Sebrae no Brasil). Em 2015, criei o AprendaAki que, por meio de parcerias estratégicas, agrega profissionais especialistas de outras áreas e possibilita o aumento do portfólio de cursos oferecidos, com isso mantém o alto padrão de qualidade.

V.O: Você é coautora do livro “Suba no Salto e Conquiste Sua Independência Financeira”, que traz um tema bastante discutido nas mídias. Qual é o seu principal objetivo com este material? 

A.L.E: O livro foi criado para ajudar quem está endividado a lidar com a situação de forma prática e objetiva. Ele dá um passo a passo de como encarar a situação e fazer um plano para sair do vermelho, traz, inclusive, algumas dicas preciosas de como negociar dívidas.

Meu principal objetivo é convidar as mulheres para mudar a forma de se relacionar com o dinheiro e assim se empoderem. Percebi que um dos meus propósitos na vida é ajudar outras mulheres a conquistarem seus sonhos e serem ainda mais felizes.

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V.O: Como nasceu a inspiração de trabalhar com esse tema? 

A.L.E: Acredito que por dois motivos principais: devido ao alto endividamento da população brasileira, em geral, que piora em momentos de crise. Percebi também que me incomodava ouvir que as mulheres só querem saber de gastar e que não sabem lidar com o dinheiro. Eu quis descobrir se era verdade ou não, talvez, pelo fato de que desde os 19 anos eu já me sustentava.

Além disso, nos últimos quatro anos, eu conheci mulheres incríveis que não reconheciam isso e não conseguiam se enxergar como eu as via, e então me identifiquei com elas.

V.O: Quais os principais conceitos apresentados no seu livro?

A.L.E: O livro foi escrito a quatro mãos, o que vejo como um grande diferencial. Ele é dividido em duas partes: a teórica, escrita pela Cida Silveira, que apresenta os fundamentos sobre questões de educação financeira e ensina como elaborar e gerenciar um orçamento doméstico; e a comportamental, escrita por mim, que chama a atenção de que não basta conhecer a teoria, pois na prática muitas vezes adotamos comportamentos que não nos levam à prosperidade financeira.

V.O: Como o seu público leitor pode obter sucesso profissional colocando em prática o conceito-chave apresentado?

A.L.E: Já existem estudos que apontam que pessoas com problemas financeiros faltam mais ao trabalho e acabam comprometendo seu desempenho. Pensando nisso, eu acredito que ter as finanças em ordem pode ajudar na qualidade de vida e, consequentemente, na melhora da performance.

Além disso, as pessoas independentes financeiramente são mais livres e podem se permitir fazer o que gostam.

V.O: Qual o primeiro passo para quem deseja se organizar e alcançar a independência financeira?

A.L.E: Primeiramente, é preciso “tirar uma foto” do hoje para saber exatamente qual a situação: estou endividada? É algo pequeno que consigo resolver com o 13º ou vou demorar até um ano para reverter esta situação?

A seguir, sugiro que seja feita uma análise do padrão de vida atual e do que é possível fazer para que eu gaste menos que a minha renda. Caso não seja possível cortar gastos, como posso aumentar minha renda? E, a partir daí, será possível definir uma rota de como e quando eu conseguirei mudar essa situação para ter mais qualidade de vida e ser mais feliz e aprendendo a valorizar o dinheiro como um meio de realização dos meus sonhos.

V.O: Quais dicas práticas você dá para quem deseja administrar o dinheiro de forma leve e produtiva?

A.L.E: Descobri que não dá para ser super radical. Se você cortar tudo o que entende como superficial, embora os resultados possam ser mais rápidos, pode trazer uma frustração absurda e aquela sensação de que “me mato de trabalhar só para pagar contas”. Então a minha dica é que se mantenha nos custos fixos algumas despesas que podem parecer superficiais, mas que te dão prazer: por exemplo fazer as unhas ou o cabelo em um salão de beleza. Este será o momento do “Eu Mereço!” para evitar deslizes com o cartão de crédito por impulso, por exemplo.

Outra dica é trocar produtos por experiências: ao invés de comprar roupas ou sapatos, conheça um lugar bacana ou faça uma viagem, sem prejudicar seu orçamento. Existem estudos que comprovam que a sensação de felicidade de experiências dura mais do que de compras, que acabam logo que você passa o cartão. Eu, por exemplo, curto uma viagem três vezes: quando programo a viagem, quando estou na viagem e depois contando e mostrando fotos para amigos, revivendo a viagem.

V.O: Quais são as suas expectativas para 2017?

A.L.E: Acredito que a partir do segundo semestre a economia deve retomar, mas independentemente das previsões e estimativas dos economistas, já comecei a pensar e trabalhar em novos projetos e parcerias para o início do ano.

Da mesma forma que em 2016 decidi que não iria participar da crise e obtive ótimos resultados, estou muito animada para o próximo ano.

Já tenho algumas demandas de palestras sobre o livro em cidades fora de São Paulo. Estou trabalhando em oficinas para mulheres que não estão endividadas e querem saber como multiplicar seu dinheiro e também vou reservar um tempo para estudar de que forma posso ajudar mais mulheres independentemente da minha presença física.

V.O: Qual a sua mensagem para que a vida financeira seja melhor do que foi em 2016?   

A.L.E: Descubra quais são seus sonhos e, a partir daí, corra atrás deles. Torne sua relação com o dinheiro produtiva, sabendo que ele é só um meio para que você atinja um fim, pois o fim são seus sonhos que te farão, de fato, feliz. Sei que não é fácil e infelizmente não existe (ou pelo menos eu ainda não descobri) uma receita mágica. Vejo que funciona como uma dieta, não foi de um dia para outro que você engordou, portanto, aqueles quilos a mais vão demorar mais do que uma semana para te deixar. O mais importante é construir algo sustentável.

Ao fazer algo hoje, você já deu o primeiro passo. A primeira vez que você colocou um salto alto não foi fácil… veio aquele desequilíbrio e desconforto, mas, com o passar do tempo, ficou natural ou no mínimo menos amedrontador. Não importa o tamanho, nem o estilo do salto: agulha ou anabela, mas sim aquele que vai lhe proporcionar a visão do mundo sob uma nova perspectiva e este é o convite que gostaria de deixar… suba no salto!

Ana Lúcia Emmerich é empreendedora, fundadora do AprendaAki, coautora dos livros “Suba no Salto e Conquiste sua Independência Financeira” e “Quais de mim você procura?”. É Administradora de Empresas (PUC-SP), Coach e também facilitadora do Empretec (seminário desenvolvido pela ONU ministrado pelo Sebrae).

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